Sábado, 11 de Setembro de 2010

DJ

Setembro. Mais um ano lectivo se aproxima. Mais uma etapa; A etapa final desta caminhada. Uma porta aberta para outra.
E com esta chegada lembro-me das tuas partidas - que nada têm a ver com as minhas questões escolares. Das tuas constantes partidas e chegadas e idas e vindas e idas e idas...
Viste-me crescer, ainda que intermitentemente. Viste-me crescer e eu vi-te sempre assim: grande e importante. De alma digna e íntegra. Conhecedor; meu professor em tantas ocasiões. As palavras sensatas e o silêncio sábio. O humor inteligente. A humildade. Tu.
Admiro-te.
Já escrevi e apaguei mais vezes que a conta...
É engraçado como me veio agora à cabeça a tua imagem sentado em frente ao computador a escrever e a apagar qualquer coisa no Messenger, a escrever de novo e tornar a apagar até ouvires a minha voz, "Decide-te...". E tu riste-te. E eu sorri. Era pequena, talvez doze ou treze anos e, ao teu lado, escrevinhava um péssimo inglês em folhas avulso. Era mais um Sábado de tantos outros Sábados passados e Sábados futuros.
Por vezes penso como será se algum dia a tua vida tomar um rumo tão distinto que não (nos) permita mais destes Sábados. E logo o meu pensamento voa para outro lado. O meu lado avestruz, quem sabe...
É o hábito. A quebra de um hábito é algo complicado.
Volto a apagar.
Lembro-me da primeira vez que vi "O Sexto Sentido". A televisão era nova no teu quarto e o filme passava no terceiro canal. Nas partes mais inquietantes eu escondia a cabeça debaixo da colcha branca e mordia a bainha do tecido. Ao passares no corredor, paraste a encarar-me e eu senti vergonha da minha própria parvoíce.
São tantas memórias, tantos risos e conversas.
Aprecio o modo como conservas a tua privacidade. Porém, desaprovo o teu escudo emocional. Bom, penso que neste aspecto serias um péssimo aprendiz e eu uma professora frustrada.
São memórias. Tantas que me é difícil seleccionar. Umas mais recentes, algumas mais longínquas, cujas expressões, as frases e os momentos se vão perdendo na vastidão do tempo. Memórias, que ainda assim, são para sempre perpetuadas.
Lá vais tu de novo. Percorres o mundo, absorvendo culturas e valores.
Eu sei que voltas.
Vais continuar a ver-me crescer e eu vou continuar a ver-te assim... 

Não deixes de voltar.
Escrevo, mudo de linha, retrocedo, volto à linha anterior e escrevo de novo.
Sou de emoções. Não tenho medo de sentir. Gosto de saber que me é permitido sentir e que tenho a oportunidade de não deixar nada por dizer. E se o amanhã for uma dádiva à qual não temos direito?
Agradeço-te por em tempos teres agarrado em mim para eu que pudesse tocar com os dedos pequeninos no tecto de madeira da casa que nos acolhe no Natal e por continuares a levantar-me quando o chão me puxa e sinto que não sou capaz de erguer as mãos.
Peço-te que nunca vás sem te despedires de mim.

Até já!






Por: Carolina Pragosa