Deitada na toalha molhada perdi-me na imensidão do tempo, do espaço e dos sons que aleatórios vinham ao meu encontro.
A toalha que outrora fora verde-lima gasta pelos Verões que por ela já passaram é de novo berço que me embala nestas viagens de olhos fechados. Coleccionando sensações, apurando sentidos.
Faltam trinta minutos para a uma da tarde e o meu corpo, já seco pelo calor que se faz sentir, recebe uma brisa que passa de fugida pela minha orelha e parece brincar, saltitando levemente, pelo meu pescoço. E vai... Segue o seu rumo.
"Está quente esta praia, hoje." Oiço dizer.
Enterro as pontas dos pés na areia que escalda e gradualmente os meus dedos começam a senti-la mais fria... Cada vez mais fria. Sabe bem este contraponto de sensações.
O corpo ferve e gotas de suor aparecem timidamente, contudo aquele lugarejo escondido em que os meus pés tocam por entre a erosão dos tempos faz-me sorrir.
...Mesmo que um sorriso escondido porque "ninguém pode notar que estou a sorrir sem razão nem porquê."
Aí vem ela mais uma vez. Silenciosa mas inquietante. Sinto um arrepio que ao chegar ao estômago faz a minha mão direita ir na sua direcção. Paro-a em cima da barriga bem devagar para não chamar a atenção de ninguém a minha volta.
Quero estar sozinha no sossego deste frenesim de Agosto numa qualquer praia lusitana.
...E a brisa que voltou seguiu o mesmo caminho daquela que a precedeu. A minha orelha esquerda, o pescoço, que desta feita se inclinou para trás quando a cabeça se enterrou na areia para dar espaço - a esta brisa - que dance e dance e dance só e feliz em cima de mim.
Os dedos dos pés reagem ao vento suave e revolvem a areia enquanto a mão na barriga sobe, agora mais depressa, até ao peito. "Já secou...". Penso com indiferença, ou talvez saudade por saber que em breve vou ter de voltar ao mundo real, sair da esfera de sensações.
Algures alguém fala em crioulo. "Tenho sede" , oiço atrás de mim. E de novo o incontestável crioulo. Sim, vem da esquerda, já percebi. "Que é isso?" e quem questionara solta também o mais sincero riso. "I want to be a billionaire, so freaking bad..." Hum, mais um hit de verão.
Sobrinha, vamos andando? Deve estar quase a minha tia a dizer, mais minuto menos minuto. Por estas ou outras palavras - que vindas dela são sempre tão espontâneas.
Acordo deste sono consciente. Não errei muito. Olho para trás e lá estão eles. Sinto-me bem.
Levanto-me. Pego na toalha verde-lima gasta pelo sal e respiro fundo.
Por: Carolina Pragosa